Por que se chama césio?
O nome vem do latim caesius, “azul-celeste”. Bunsen e Kirchhoff descobriram o elemento em 1860 pelas linhas azuis que ele deixa no espectro da luz.
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O Césio-137 é um elemento químico radioativo, ou seja, um material que libera energia em forma de radiação.
Ele é uma versão do elemento césio que possui 137 partículas no núcleo (55 prótons e 82 nêutrons).
O césio é um metal macio e prateado, descoberto em 1860 por Bunsen e Kirchhoff com o auxílio da espectroscopia.
A cada cerca de 30 anos, metade dos átomos de césio-137 de uma amostra já se transformou.
Emite partículas beta e, em seguida, raios gama, que atravessam o corpo com facilidade.
Não existe na natureza. É produzido em reatores e em explosões nucleares, como subproduto da fissão do urânio.
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O nome vem do latim caesius, “azul-celeste”. Bunsen e Kirchhoff descobriram o elemento em 1860 pelas linhas azuis que ele deixa no espectro da luz.
O césio puro derrete a cerca de 28 °C, quase a temperatura de um dia quente, e reage com violência em contato com a água.
Os relógios atômicos usam o césio-133, a versão estável do elemento. Um segundo equivale a 9.192.631.770 oscilações dos seus átomos.
A cápsula de Goiânia tinha cerca de 19 gramas de césio-137, o bastante para contaminar parte da cidade e atingir centenas de pessoas.
O acidente de Goiânia foi classificado no nível 5 da Escala Internacional de Acidentes Nucleares, que vai até 7. Esse nível indica consequências de longo alcance.
O depósito de Abadia de Goiás é monitorado pensando em 180 anos, cerca de seis meias-vidas do césio-137.
A limpeza gerou 6.500 m³ de rejeitos: 4.223 tambores de 200 litros, 1.347 caixas metálicas, 8 recipientes de concreto e 10 contêineres marítimos.
O césio-137 já foi usado em aparelhos de radioterapia contra o câncer. Foi de um desses aparelhos, abandonado, que saiu a cápsula de Goiânia.
O césio é um dos metais mais reativos que existem: reage com a água até quando ela está congelada, a cerca de −116 °C.
Antes das primeiras explosões nucleares, em 1945, quase não havia césio-137 no ambiente. Por isso, cientistas medem esse elemento para conferir se um vinho raro é mesmo de uma safra antiga.
Ao se transformar, o césio-137 emite uma partícula beta e vira bário-137. É esse bário que, em poucos minutos, libera os raios gama.
O césio-137 também foi espalhado pelos acidentes nucleares de Chernobyl, em 1986, e de Fukushima, em 2011.
Décadas depois de Chernobyl, javalis selvagens de florestas da Alemanha ainda têm césio-137 na carne. Eles comem cogumelos e outros fungos do solo, que absorvem o césio.
Em Goiânia, em setembro de 1987, a contaminação passou por vários pontos da cidade. Estes são os principais, na ordem em que a história aconteceu. As fotos mostram os locais como eles estão hoje ou como foram registrados.
Prédio abandonado onde funcionava a clínica. De lá, dois catadores retiraram o aparelho de radioterapia que continha a cápsula de césio-137.
Saiba mais →O aparelho foi levado para esta casa e aberto a marretadas, rompendo a janela que protegia a cápsula. A contaminação começou aqui. Hoje, o lugar é um terreno vazio com o solo concretado.
Ler reportagem →Os pedaços foram vendidos ao dono do ferro-velho, que distribuiu fragmentos do pó brilhante a parentes e amigos e repassou a fonte a outros dois depósitos. O terreno está abandonado.
Ver fotos: antes e depois →Entre 30 de setembro e 22 de dezembro de 1987, 112.800 pessoas foram monitoradas ali, e 249 apresentaram contaminação significativa. Hoje o local funciona como Centro de Excelência do Esporte.
Ver fotos: antes e depois →Foram demolidas sete casas e gerados 6.500 m³ de rejeitos radioativos. Eles ficam em dois depósitos subterrâneos dentro do Parque Estadual Telma Ortegal, a cerca de 20 km de Goiânia, sob gestão do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste.
Saiba mais →Leide das Neves, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista e Admilson Alves, as quatro vítimas diretas do acidente, estão enterrados aqui, em caixões de chumbo e concreto. Os sepultamentos foram marcados por protestos de moradores que temiam contaminação. Segundo um físico nuclear, a área dos túmulos não oferece risco radiológico.
Ler reportagem →Em memória das vítimas do acidente e das pessoas que ainda convivem com suas consequências.
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A radiação do césio-137 não é vista, sentida nem cheirada. O que ela causa no corpo depende da dose recebida, do tempo de exposição e de o material ter ficado só na pele ou ter entrado no organismo.
Enjoo, vômitos, diarreia, dor de cabeça e mal-estar. Em doses altas, esses sinais surgem logo e são um alerta grave.
Vermelhidão, coceira, bolhas e queimaduras profundas, que demoram a cicatrizar. Elas aparecem onde o material encostou.
Fraqueza, queda de cabelo, febre e perda de peso. A radiação danifica a medula óssea, que produz as células do sangue.
Maior risco de câncer e de outras doenças. Os efeitos podem demorar anos para aparecer.
A radiação gama atravessa o corpo e danifica as células, principalmente as que se renovam rápido.
O impacto de um acidente radiológico vai além do corpo das vítimas.
Entre setembro e dezembro de 1987, milhares de pessoas passaram por medições no Estádio Olímpico.
Foram as pessoas com material radioativo no corpo ou na roupa, em nível relevante.
Leide das Neves, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista e Admilson Alves morreram em 1987.
O volume de lixo gerado pela limpeza continua guardado em depósitos monitorados.
Importante: nem toda exposição à radiação causa todos esses sintomas. A maioria depende de doses altas. Quem suspeitar de contato com material radioativo deve procurar atendimento médico e avisar as autoridades, sem esperar os sintomas aparecerem.
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O césio-137 não existe na natureza. Ele é criado pelo ser humano.
O acidente de Goiânia aconteceu porque a fonte foi abandonada sem controle.
Se você já encostou: tire a roupa, lave o corpo com água e sabão e aguarde a orientação das autoridades.